Nossa, há quanto tempo... Como vão as coisas no seu pequeno planeta? Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos.
Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa.
Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista.
Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante.
Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo – eu estava loira na época – e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim.
Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.
Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante.
Percebeu o tom de chantagem? Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro. Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.
A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro.
Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu? Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.
A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado.
Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire.
Saudades distantes,
(Fernanda Young)
quinta-feira, dezembro 10, 2009
O Mundo é Vasto

É muito difícil encontrar nosso caminho, o certo - se é que ele existe. O que você pretende ser quando crescer? Sinceramente: alguém, em sã consciência, pode, aos 15, ter a certeza de que pretende passar a vida no pregão da Bolsa de Valores ou abrir um restaurante chinês? As coisas vão acontecendo, as ocasiões se apresentando, é preciso estar atento para montar o cavalo quando ele passar encilhado.
E, se olhar para trás, vai reconhecer que talvez ele tenha passado várias vezes - só que você não percebeu. Na vida pessoal/afetiva é a mesma coisa. Quantas vezes não aconteceu de aparecer alguém com quem você poderia ter vivido uma bela história, mas que não foi nem considerado na época, porque seu coração batia mais forte quando o outro chegava; aquele, aliás, que quase nunca chegava e um dia te largou por outra. É duro chorar pelo que não se fez e pela pior das cegueiras: a cegueira mental.
É maravilhoso saber o que se quer e trabalhar com perseverança para chegar lá, mas a vida não pára de passar; enquanto batalha pelo que quer, fique atenta, pois de repente pode acontecer alguma coisa que vai mudar totalmente seu rumo. Seu sonho é fazer um documentário, mas ainda não conseguiu chegar lá - é, a vida é dura, somos todos injustiçados e incompreendidos. Se nesse meio tempo alguém oferece um trabalho por 15 dias, coisa modesta, tipo encapar livros ou ajudar a fazer pulseiras de artesanato ganhando uma graninha bem pequena, você aceita ou se sente quase ofendida? Pois aceite: quem sabe descobre uma vocação que nunca havia percebido antes e acabe criando jóias de verdade e se tornando uma nova Paloma Picasso. No meio do caminho tudo pode acontecer, até descobrir que você gosta mesmo é de mexer com metais - e daí para virar escultora é só um passo.
E tem a natureza, os mares, as florestas, os desertos, os aviões, a televisão, os sabores, as texturas, a política, as crianças, o frio, o prazer de andar descalça na grama, a internet, os peixes, o amor, os livros, o vento, a chuva, o futuro, o passado, a memória, a esperança, o sono, a água, o fogo, as letras, os números, as religiões, a cultura, a história e o melhor de tudo: a imaginação.
Não é possível que você não consiga encontrar um interesse digno desse nome diante de tantas maravilhas. De pelo menos uma dessas coisas você deve - ou pode - gostar apaixonadamente. Vá ao mercado perto de sua casa, compre um abacaxi e pense no milagre que é a natureza, milagre que se repete em cada fruta, cada folha, e que uma vida inteira seria pouco para refletir sobre o que é o paladar, o aroma, a textura de cada uma dessas coisas que a gente olha todos os dias mas não vê.
De descoberta em descoberta a vida vai passando e, um dia,quando você menos espera, acontece o que você mais queria: encontra seu verdadeiro caminho. Quando isso acontecer, vai ser maravilhoso, mas mesmo assim nunca abra mão das infinitas possibilidades que existem e vão existir sempre.
E, se olhar para trás, vai reconhecer que talvez ele tenha passado várias vezes - só que você não percebeu. Na vida pessoal/afetiva é a mesma coisa. Quantas vezes não aconteceu de aparecer alguém com quem você poderia ter vivido uma bela história, mas que não foi nem considerado na época, porque seu coração batia mais forte quando o outro chegava; aquele, aliás, que quase nunca chegava e um dia te largou por outra. É duro chorar pelo que não se fez e pela pior das cegueiras: a cegueira mental.
É maravilhoso saber o que se quer e trabalhar com perseverança para chegar lá, mas a vida não pára de passar; enquanto batalha pelo que quer, fique atenta, pois de repente pode acontecer alguma coisa que vai mudar totalmente seu rumo. Seu sonho é fazer um documentário, mas ainda não conseguiu chegar lá - é, a vida é dura, somos todos injustiçados e incompreendidos. Se nesse meio tempo alguém oferece um trabalho por 15 dias, coisa modesta, tipo encapar livros ou ajudar a fazer pulseiras de artesanato ganhando uma graninha bem pequena, você aceita ou se sente quase ofendida? Pois aceite: quem sabe descobre uma vocação que nunca havia percebido antes e acabe criando jóias de verdade e se tornando uma nova Paloma Picasso. No meio do caminho tudo pode acontecer, até descobrir que você gosta mesmo é de mexer com metais - e daí para virar escultora é só um passo.
E tem a natureza, os mares, as florestas, os desertos, os aviões, a televisão, os sabores, as texturas, a política, as crianças, o frio, o prazer de andar descalça na grama, a internet, os peixes, o amor, os livros, o vento, a chuva, o futuro, o passado, a memória, a esperança, o sono, a água, o fogo, as letras, os números, as religiões, a cultura, a história e o melhor de tudo: a imaginação.
Não é possível que você não consiga encontrar um interesse digno desse nome diante de tantas maravilhas. De pelo menos uma dessas coisas você deve - ou pode - gostar apaixonadamente. Vá ao mercado perto de sua casa, compre um abacaxi e pense no milagre que é a natureza, milagre que se repete em cada fruta, cada folha, e que uma vida inteira seria pouco para refletir sobre o que é o paladar, o aroma, a textura de cada uma dessas coisas que a gente olha todos os dias mas não vê.
De descoberta em descoberta a vida vai passando e, um dia,quando você menos espera, acontece o que você mais queria: encontra seu verdadeiro caminho. Quando isso acontecer, vai ser maravilhoso, mas mesmo assim nunca abra mão das infinitas possibilidades que existem e vão existir sempre.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
É necessário desaparecer do mundo durante uma hora por dia
O mundo era muito diferente no passado, obviamente. Recebemos hoje, num só dia, o que há seiscentos anos seria equivalente a seis semanas de estímulos sensoriais.
Seis semanas de estímulos e informações num único dia — somos pressionados cerca de quarenta vezes mais a aprender e a nos adaptar.
O homem moderno tem de ser capaz de aprender mais do que a humanidade jamais aprendeu, porque há mais a aprender agora. Tem de ser capaz de se adaptar a novas situações todos os dias, porque o mundo está mudando rápido demais. Isso é um grande desafio.
Um grande desafio que, se aceito, ajudará tremendamente na expansão da consciência. Ou o homem moderno se tornará totalmente neurótico, ou será transformado pela própria pressão. Depende de como irá reagir a ela.
Uma coisa é certa: não há como retroceder. Os estímulos sensoriais estão cada vez maiores. Você obterá sempre mais informações e a vida mudará num ritmo cada vez mais rápido. E você terá de ser capaz de aprender e se adaptar a coisas novas.
No passado, o homem vivia num mundo quase estático. Tudo era estático. Você deixava o mundo exatamente como seu pai o havia deixado, não mudava coisa alguma.
Nada era mudado, não era importante aprender muito. Um pouco de aprendizado era o bastante e então você tinha espaços em sua mente, espaços vazios, que o ajudavam a manter a sua sanidade.
Agora não há mais espaços vazios, a menos que você os crie deliberadamente.
Hoje a meditação é mais necessária do que nunca, tão necessária que é quase uma questão de vida ou morte. No passado, era um luxo; poucas pessoas se interessavam por ela.
Outras pessoas eram naturalmente silenciosas, felizes e sãs. Não tinham necessidade de pensar em meditação; de um modo inconsciente, meditavam. A vida avançava tão devagar e silenciosamente que até as mais tacanhas eram capazes de se adaptar.
Agora a mudança é extremamente rápida, tão rápida que nem mesmo as pessoas mais inteligentes conseguem acompanhar. A vida diária é diferente, e você tem de aprender de novo — estar sempre aprendendo.
Hoje não se pode mais parar de aprender; esse processo tem de durar a vida inteira. Tem-se de continuar aprendendo até a morte. Só assim se pode permanecer são, evitar a neurose. E a pressão é enorme — quarenta vezes maior.
Como atenuá-la? Você precisará de ter os seus momentos de meditação. Se uma pessoa não meditar pelo menos uma hora por dia, sua neurose não será acidental. Terá sido criada por ela mesma.
Durante uma hora ela deve desaparecer do mundo para dentro de si mesma. Deve ficar tão só que nada pode invadi-la — nenhuma lembrança, nenhum pensamento, nenhuma imaginação; durante uma hora, não deve haver coisa alguma em sua consciência.
Isso fará com que ela rejuvenesça e se reanime, e libere novas fontes de energia. Ela voltará ao mundo mais jovem, renovada e capaz de aprender, com mais admiração em seus olhos e mais reverência em seu coração — de novo uma criança.
Osho
Seis semanas de estímulos e informações num único dia — somos pressionados cerca de quarenta vezes mais a aprender e a nos adaptar.
O homem moderno tem de ser capaz de aprender mais do que a humanidade jamais aprendeu, porque há mais a aprender agora. Tem de ser capaz de se adaptar a novas situações todos os dias, porque o mundo está mudando rápido demais. Isso é um grande desafio.
Um grande desafio que, se aceito, ajudará tremendamente na expansão da consciência. Ou o homem moderno se tornará totalmente neurótico, ou será transformado pela própria pressão. Depende de como irá reagir a ela.
Uma coisa é certa: não há como retroceder. Os estímulos sensoriais estão cada vez maiores. Você obterá sempre mais informações e a vida mudará num ritmo cada vez mais rápido. E você terá de ser capaz de aprender e se adaptar a coisas novas.
No passado, o homem vivia num mundo quase estático. Tudo era estático. Você deixava o mundo exatamente como seu pai o havia deixado, não mudava coisa alguma.
Nada era mudado, não era importante aprender muito. Um pouco de aprendizado era o bastante e então você tinha espaços em sua mente, espaços vazios, que o ajudavam a manter a sua sanidade.
Agora não há mais espaços vazios, a menos que você os crie deliberadamente.
Hoje a meditação é mais necessária do que nunca, tão necessária que é quase uma questão de vida ou morte. No passado, era um luxo; poucas pessoas se interessavam por ela.
Outras pessoas eram naturalmente silenciosas, felizes e sãs. Não tinham necessidade de pensar em meditação; de um modo inconsciente, meditavam. A vida avançava tão devagar e silenciosamente que até as mais tacanhas eram capazes de se adaptar.
Agora a mudança é extremamente rápida, tão rápida que nem mesmo as pessoas mais inteligentes conseguem acompanhar. A vida diária é diferente, e você tem de aprender de novo — estar sempre aprendendo.
Hoje não se pode mais parar de aprender; esse processo tem de durar a vida inteira. Tem-se de continuar aprendendo até a morte. Só assim se pode permanecer são, evitar a neurose. E a pressão é enorme — quarenta vezes maior.
Como atenuá-la? Você precisará de ter os seus momentos de meditação. Se uma pessoa não meditar pelo menos uma hora por dia, sua neurose não será acidental. Terá sido criada por ela mesma.
Durante uma hora ela deve desaparecer do mundo para dentro de si mesma. Deve ficar tão só que nada pode invadi-la — nenhuma lembrança, nenhum pensamento, nenhuma imaginação; durante uma hora, não deve haver coisa alguma em sua consciência.
Isso fará com que ela rejuvenesça e se reanime, e libere novas fontes de energia. Ela voltará ao mundo mais jovem, renovada e capaz de aprender, com mais admiração em seus olhos e mais reverência em seu coração — de novo uma criança.
Osho
No mais, tô nem aí. Refrão e desabafo.
Tô nem aí pro futuro, pra celulite, tô nem aí para queixas datadas, tô nem aí pro telefone mudo, pros surdos, pro preço do combustível, tô nem aí se vai chover amanhã, se o presidente vai viajar, se vai voltar, tô nem aí.
Pra discussão sobre maioridade penal, violência e barbárie, tô aí. Pro fim desta impunidade que incrementa a bestialização das nossas vidas, tô muito aí.
Tô nem aí pros especuladores da vida alheia, pro Schwarzenegger, pros índices de audiência, tô nem aí se fui convidada ou preterida, quem é a primeira da lista, a segunda, a última, tô nem aí pro novo namorado da Nicole, pras declarações da Luana, quem é gay ou não, com silicone ou sem, se é virgem, se é rodada.
Pros sentimentos das pessoas, tô aí. Para seus desejos e dúvidas, para seus medos e ousadias, tô aí. Para tudo aquilo que tem consistência, para tudo aquilo que nos comove, para o leve e o denso, para a alegria genuína e para o luto, tô aí, sim.
Tô nem aí para quantas calorias tem um bife, tô nem aí pra corrida espacial, se há vida após a morte, tô nem aí pro carro do ano, pra musa do próximo verão, pro gol mais bonito do domingo, pra manchete da capa de amanhã.
Para a grosseria e a falta de delicadeza que corrói as relações, tô aí. Para a brutalidade das pessoas, pro egoísmo, pra falta de educação e civilidade, para todos que possuem uma nuvem preta acima da cabeça e a carregam pra onde quer que vão, tô aí e me dói profundamente.
Tô nem aí pro que foi decidido na reunião de condomínio, na reunião de cúpula, na reunião de mães, nas reuniões que duram mais de dez minutos, tô nem aí pro salário dos outros, pras novas tendências, pra cotação das minhas ações no mercado externo.
Tô aí pra alguns, pros meus. Tô aí e estou aqui. Estou atenta. Estou dentro. Estou me vendo. Estou tentando. Estou querendo. Estou a postos só para o mínimo, o máximo. Para o que importa mesmo. Para o mistério. A verdade. O caos. O céu. O inferno. Essas coisas.
Pra discussão sobre maioridade penal, violência e barbárie, tô aí. Pro fim desta impunidade que incrementa a bestialização das nossas vidas, tô muito aí.
Tô nem aí pros especuladores da vida alheia, pro Schwarzenegger, pros índices de audiência, tô nem aí se fui convidada ou preterida, quem é a primeira da lista, a segunda, a última, tô nem aí pro novo namorado da Nicole, pras declarações da Luana, quem é gay ou não, com silicone ou sem, se é virgem, se é rodada.
Pros sentimentos das pessoas, tô aí. Para seus desejos e dúvidas, para seus medos e ousadias, tô aí. Para tudo aquilo que tem consistência, para tudo aquilo que nos comove, para o leve e o denso, para a alegria genuína e para o luto, tô aí, sim.
Tô nem aí para quantas calorias tem um bife, tô nem aí pra corrida espacial, se há vida após a morte, tô nem aí pro carro do ano, pra musa do próximo verão, pro gol mais bonito do domingo, pra manchete da capa de amanhã.
Para a grosseria e a falta de delicadeza que corrói as relações, tô aí. Para a brutalidade das pessoas, pro egoísmo, pra falta de educação e civilidade, para todos que possuem uma nuvem preta acima da cabeça e a carregam pra onde quer que vão, tô aí e me dói profundamente.
Tô nem aí pro que foi decidido na reunião de condomínio, na reunião de cúpula, na reunião de mães, nas reuniões que duram mais de dez minutos, tô nem aí pro salário dos outros, pras novas tendências, pra cotação das minhas ações no mercado externo.
Tô aí pra alguns, pros meus. Tô aí e estou aqui. Estou atenta. Estou dentro. Estou me vendo. Estou tentando. Estou querendo. Estou a postos só para o mínimo, o máximo. Para o que importa mesmo. Para o mistério. A verdade. O caos. O céu. O inferno. Essas coisas.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Aos que não me enxergam
Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer.
O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim.
Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente.
Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.
Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.
Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.
Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?
Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.
Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.
Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.
Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz...”*
Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você.
Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.
* Trechos da música OLHOS NOS OLHOS, de Chico Buarque
O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim.
Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente.
Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.
Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.
Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.
Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?
Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.
Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.
Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.
Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz...”*
Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você.
Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.
* Trechos da música OLHOS NOS OLHOS, de Chico Buarque
PARA TER OPINIÃO PRÓPRIA:
1. leia muito,
2. escute,
3. debata antes de decidir,
4. escreva (para fixar),
5. só então pense!
2. escute,
3. debata antes de decidir,
4. escreva (para fixar),
5. só então pense!
"A vida é como andar de bicicleta. Para que haja equilíbrio é preciso se manter em movimento." (Albert Einstein)
terça-feira, dezembro 01, 2009
O Ego e as Relações Profissionais
Ego é o centro da consciência de um ser humano. É a somatória de idéias, pensamentos, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais, a consciência que cada ser tem se si, à percepção da própria identidade e, até mesmo, ao orgulho próprio.
O Ego, por passar uma sensação de consistência, tenta contrapor-se a qualquer coisa que possa ameaçá-lo. E é exatamente aí que ele se torna perigoso nas relações profissionais. O Ego está intimamente ligado ao orgulho próprio, mas não é só isso. Via de regra, quando o ego é exagerado ele se torna prejudicial, pois a pessoa perde a visão sistêmica, deixa de entender a dinâmica do todo, de perceber que não está só, que todas as suas ações têm consequências e, com as escolhas voltadas apenas para si mesma e para o próprio benefício, ela deixa de ter os melhores resultados.
No entanto, quando o Ego faz a pessoa confiar em si mesma e valorizar o seu potencial, ele pode ser altamente positivo. Porém, se ele ofusca a "visão" de um profissional que se sente "o melhor dos melhores" e, com isso, torna-se prepotente e arrogante acabando com a sua capacidade de trabalhar em equipe o ego pode ser maléfico. E mais, sua vida pessoal também sofre as consequências, pois estes profissionais normalmente possuem seus relacionamentos prejudicados.
A expressão "Ego Inflado", refere-se a um aparente excesso de confiança em si mesmo, um sentimento de superioridade aos demais, e isso transparece em condutas arrogantes. Comumente, essa máscara esconde um sentimento de inadequação, de inferioridade e de insegurança. A pessoa coloca-se como dona da verdade, fechando-se para as contribuições dos colegas, tornando-se menos colaboradora pela necessidade de se destacar ou dominar os demais.
Um profissional com "ego inflado" pode até ser competente, mas apresenta dificuldade no trabalho em equipe, porque carece de inteligência emocional e de inteligência social e isso prejudica totalmente sua carreira.
É possivel uma pessoa ter confiança, e dar-se o devido valor, sendo humilde, isso acontece quando ela não se compara com os outros, quando não usa suas conquistas e habilidades como meio de provar aos outros que são piores, quando não fere os valores dos outros à sua volta.
Muitas vezes, pessoas que conquistam bens materiais ou posições de destaque tendem a confundir-se com seus egos. E precisam urgentemente perceber que não somos a imagem criada por nossas profissões ou conquistas. Somos uma essência bem mais profunda do que essa superficialidade. O silêncio interior permite que possamos ouvir mais do que falar. A paz de espírito, permite que não precisemos provar nada aos outros o quão bons nós somos. Todos nós, todos os seres humanos, somos dignos dessa essência. Temos o nosso "lado iluminado" e, quando permitimo-nos trazê-lo à tona, tornamos pessoas do bem, ímãos de pessoas, ímãos de negócios de sucesso, de extraordinária liderança e, consequentemente, recebemos mais em nossa vida daquilo que realmente tem VALOR.
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